Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012
O que está em causa é o "afundamento" do Estado Social
"Nunca a refundação do Estado social se fez num contexto de crise, porque num momento de cortes não há qualquer refundação, mas sim o afundamento do Estado Social".

O alerta foi feito hoje por Boaventura Sousa na mesa redonda "Portugal Social, o que nos falta?, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian. Neste debate, que encerrou a conferência "Portugal em Mudança" promovida pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS), o sociólogo sublinhou que se assiste neste momento a "uma destruição do Estado Social sem a almofada da sociedade providência" que havia na década de oitenta. Para este investigador a questão está em saber " a que nível de catástrofe é que se vai arranjar uma solução para a sociedade portuguesa". Na sua intervenção apelou à necessidade de ter "um sujeito político forte capaz de negociar com a União Europeia" para que se "encontre uma solução com algum desespero, mas com esperança, porque neste momento só há desespero sem esperança". O director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra apelou, ainda, aos cientistas sociais que desmascarem duas mentiras que estão a dominar a opinião pública: "que os portugueses vivem acima das suas possibilidades e que a Segurança Social não é sustentável".

Outro dos intervenientes no debate, o economista Félix Ribeiro afirmou, por seu lado, que é preciso "atrair operadores globais" que consigam definir uma estratégia para que Portugal vença na globalização. Ironizando, um dos responsáveis pelo desenho do programa Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) acrescentou que só conseguiremos sobreviver como "Asterix na globalização, se tivermos uma poção mágica".

Para o director da Nova School of Business & Economics, Ferreira Machado a solução passa por "utilizar a rede global de talentos portugueses" que estão espalhados pelo mundo. A necessidade de lançar um "debate urgente sobre o futuro do Estado social" foi o desafio deixado pela economista Manuela Silva. Para a professora do ISEG "assistimos, actualmente, à tomada de decisões (sobre o Estado social) com implicações constitucionais sem que haja qualquer debate público".

Durante a sessão da tarde da conferência foi apresentado um estudo do ICS que revela que a Península de Setúbal, o Algarve, parte do Baixo Alentejo e da Lezíria são as regiões do país mais afectadas pela crise.

O investigador do ICS e especialista em Geografia João Ferrão apresentou hoje o estudo "Geografia da Crise" que compara a situação das famílias e das empresas nos 278 municípios do continente em dois diferentes períodos: numa época de pré-crise (entre 2005/2007) e na fase inicial da crise (2009/2010).

De acordo com a investigação do professor da Universidade de Lisboa e ex-secretário de Estado do Ordenamento do Território, "as empresas são mais sensíveis à crise do que as famílias", revelou. Em apenas cinco anos, a situação das empresas agravou-se em 166 municípios (mais de 60% do total) enquanto a vida das famílias piorou em 79 municípios (28%).
publicado por sociolocaminhar às 00:41
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