Quinta-feira, 28 de Junho de 2007
Debate preparatorio do estado da Sociologia em Portugal

Debate preparatório sobre o estado da Sociologia em Portugal

Está lançado o debate! É imperativo que a prática da Sociologia em Portugal seja objecto de um escrutínio permanente por parte de quem a aprende, ensina e pratica em diferentes contextos profissionais. A Associação Portuguesa de Sociologia chama a si a responsabilidade de (re)abrir o debate sobre o estado da Sociologia em Portugal, numa lógica simultaneamente auto-reflexiva e disseminadora sobre os modos de fazer Sociologia numa sociedade em acelerado processo de mudança social. A legitimação do exercício sociológico alimenta-se, também, pelos processos de sufrágio público e de reafirmação identitária, relevância social e capacidade interventiva daqueles que fazem da ciência sociológica instrumento privilegiado da sua actividade e suporte relevante da sua cidadania. Muitos são os sinais, em muitos casos contraditórios entre si, que nos levam a pensar na necessidade e urgência de debater temas estruturais sobre a Sociologia enquanto ciência e sobre a Sociologia enquanto campo de práticas profissionais. Há uma actualização indispensável sobre os problemas que dizem respeito a todos nós. Problemas que se convertem em desafios presentes e futuros, que cabe conhecer e compreender, mas também problemas que podem limitar o valor social do trabalho do sociólogo: na escola, na empresa, no departamento estatal em que trabalha. A adesão ao repto de 2006, que teve lugar em Vendas Novas, e que denominámos Encontro Futuros da Profissão Sociólogo, e antes deste ao longo Ciclo de Conferências Sociologia, Ciência e Profissão, desenvolvido entre 2003 e 2006 em diferentes cidades portuguesas, suportou a convicção da Associação de que o debate sobre a Sociologia se deve manter e aprofundar, sem quaisquer outros compromissos que não decorram da nossa própria ética e deontologia. Assim, e como iniciativa preparatória do “Encontro sobre o Estado da Sociologia em Portugal: formação, investigação e profissionalização”, que irá ter lugar em Outubro do corrente ano em Lisboa, em local e data a anunciar brevemente, entendeu a Direcção APS que neste vortal se torna oportuno criar um ESPAÇO DE DEBATE preparatório. Todos estão convidados a participarem neste espaço, sugerindo eixos de análise sobre o estado da Sociologia em Portugal, ou simplesmente exprimindo os seus comentários aos textos que forem sendo editados nesta rubrica. A APS reclama o direito de ser parte integrante desse debate, e nessa circunstância contribuir através da publicação das suas reflexões. A todos quantos queiram associar-se a este debate preparatório solicitamos que enviem os seus textos e comentários, sempre devidamente identificados (nome e endereço electrónico). Os textos em nome de entidades colectivas (por exemplo, associações) devem ter igualmente uma identificação pessoal (em nome de…). Por motivos de transparência e equidade não se poderão aceitar textos sem identificação do autor. A APS compromete-se a publicar esta documentação, desde que ela se relacione directa e exclusivamente com o debate do estado da Sociologia em Portugal. Salvaguardam-se as regras habituais de conformidade com a legislação em vigor sobre conteúdos ofensivos do bom nome e da dignidade de pessoas e instituições. A actualização dos conteúdos far-se-á quinzenalmente.

O estado do estado da Sociologia

Em jeito de reaproximação à ciência que me abriu novos horizontes, deixo algumas palavras de quem se afastou do papel do Sociólogo, passando pelo papel do licenciado em Sociologia no vasto mundo dos Recursos Humanos e afins em Portugal. A problemática do estado da Sociologia em Portugal coloca-me mais no campo do que entendemos pelo estado desse estado, ou seja, acreditando num papel do Sociólogo enquadrado nas diversas vertentes da nossa sociedade, com papéis bem definidos e caracterizados, penso estarmos a deambular em dissertações filosóficas sobre “o que andamos para aqui a fazer”. O que realmente me faz questionar é a própria abordagem que nós, “Sociólogos” fazemos da nossa ciência e da nossa participação enquanto “cientistas”. Nesse sentido acho que a academia (sem generalizações) tem no seu âmago alguns preconceitos enraizados por doutrinas de outros tempos, cujas ideias assentam numa participação e envolvimento que não se adequam aos tempos modernos. A tal problemática faz-me participar nesta troca de ideias, enquanto alguém que gosta sempre o lado prático das coisas, tal como são, onde descubro o meu papel dentro dos sistemas e forças que me rodeiam. O que resulta deste prisma é a real capacidade que a Sociologia deve ter (e pode ter) de potenciar o desenvolvimento de redes de relações e de contactos de modo a criar internamente o colectivo que irá determinar o real estado da Sociologia em Portugal. Tento transmitir a ideia que devemos basearmo-nos na criação da tal rede para podermos compreender na sua totalidade os índices de participação de todos os parceiros que constituem e representam a Sociologia no nosso país. Para tal, considero que não só se deve pensar no estado da Sociologia, como no estado desse estado, onde muitas vezes se nota que a própria rede que vos falo tem elos partidos e desligados, apresenta falta de sentido de corpo e quantas vezes um fechamento e esquecimento do mundo académico para com a vida profissional de cada um. Em jeito de conclusão, com garantias de continuidade e de criação de futuros elos, encaro esta discussão como um princípio da construção de uma real identidade da Sociologia através de todos os seus intervenientes. Daí, percepcionando de dentro para fora o que nós próprios consideramos como o estado da Sociologia em Portugal, poderemos dissertar sobre o papel da nossa ciência e a forma como está a ser encarada por todos os outros actores sociais. Saudações sociológicas

2007-05-11 - Pedro Alves

Que Sociologia se faz?

Pedro Alves, gostei do que li, sobretudo porque vai, em parte, ao encontro do que penso sobre o que faz oo deveria fazer, não o sociólogo como profissional, mas o sociólogo como pessoa licenciada em Sociologia. Por acaso não é bem o meu caso, tenho licenciatura em Antropologia e, senti necessidade de abordar o social na óptica mais lata, daí ter feito o mestrado e o Ph.D em Sociologia. Todavia, julgo que a posição do Sociólogo perante a sociedade e o real que o rodeia deveria ser de questionador. Quero com tal significar que antes de criticar e de promover algumas tentativas de solução, deverá começar por se questionar a si mesmo o que fez, o que tem feito e o que faria para que tal fosse melhorado e quiçá colmatado. Tal como em tudo, devemos começar por olhar para o nosso próprio umbigo e em consciência reflectir no que como pessoas já contribuimos para... em especial melhorar o social em que afinal todos vivemos! Porque não começarmos agora?!

2007-05-26 - Alzira Simoes

Criar novos paradigmas para a Sociologia

Sei bem que fazer Sociologia não é ser simples licenciado em Sociologia. Assim ainda que não exerça a profissão e não tendo também tido ainda a capacidade ou a possibilidade de me imiscuir nos estudos Sociológicos, não quero deixar de a partir das observações distanciadas que tento fazer da realidade que nos envolve e da forma cientifica com que procuro olhar o mundo. Reflectir sobre o estado da Sociologia e da Profissão de Sociólogo em Portugal. Não pretendo deter a Verdade, apenas marcar no papel as reflexões que tenho feito ao longo dos últimos anos. Sendo certo que observo a Universidade do ponto de vista de quem a vive como ser exterior e desse modo a observa de um ponto distanciado da sua realidade global ,mas também por isso mesmo mais objectivo. Ponto de vista que nos permite maior objectividade embora nos falte o conhecimento de outros modos de a vivênciar. Por outro lado Tenho uma Vivência Organizacional Fortíssima e desse ponto de Vista posso observar por dentro a realidade das Organizações Vou assim falar sempre do objecto de estudo sabendo que me falta a verdadeira perspectiva da realidade e portanto não pretendo de modo nenhum deter a verdade . Assim sei que em todas as universidades se fazem estudos científicos que procuram retratar a realidade em que vivemos e que estes são certamente suficientes para poderemos através da sua analise, conhecer as vivências, as culturas e as representações que: a Sociedade Global e ou os pequenos grupos vivênciam e através dos quais representam as imagens do futuro. A critica que se me apresenta fazer ás Academias não é pois a sua incapacidade de conhecer e trabalhar para o conhecimento da realidade, mas a incapacidade que tem demonstrado de: fazer sair os conhecimento das áreas elitistas, das Academias ou dos círculos restritos dos que sabem mas não querem modificar a realidade . Não basta conhecer. Se o conhecimento se mantiver restrito, se este conhecimento não for posto na rua, permitindo a reflexão global pela Sociedade. É e será sempre um conhecimento vazio. Sei quanto esta tarefa é não só difícil, como também não tem sido o objecto sociológico, dos estudiosos que se tem limitado a criar conhecimento. Não fazendo sua ,a preocupação com os resultados dos seus estudos. È pois necessário, parece-me, romper com este ciclo de ciência vazia e passar a Fazer Ciência com os objectos de estudo. Observando e interferindo nos processos desadequados que fazem mover as Sociedades para lado nenhum , à sombra de ideais pretensamente novas e de futuros promissores , a nova droga das sociedades modernas. A sociologia nas empresas é por outro lado ou inexistente ou quando os sociólogos integram os quadros empresariais, ficam limitados na capacidade de aplicação do seu campo de conhecimento, quase sempre desempenhado as tarefas de recrutamento de recursos humanos ou ainda conjuntamente com os psicólogos Organizacionais, são os responsáveis pela reorganização dos recursos humanos conduzindo-os suavemente a readaptarem-se aos novos paradigmas de trabalho cada vez mais desumano. De facto a maior parte das organizações actuais pretendem o conhecimento dos sociólogos de modo a poderem melhor conhecer ,como os trabalhadores funcionam enquanto enquadrados nos grupos formais ou informais, de modo a melhor os poderem condicionar e conduzir a maiores cargas de trabalho e ou métodos de produção que a ciência Sociológica pode dirigir influenciar e transfigurar. Acontece porém que as sociedades actuais, caminham inexoravelmente para o abismo Os sociólogos Empresariais sabem-no bem e, são os que dentro das organizações tem o conhecimento para deterem o processo e, também são capazes de preconizar formas alternativas de melhorar os locais de trabalho nas suas diversas vertentes. Desde as ambientais às formas de produção modernas criadoras de mais valias para trabalhadores e empresas. Nomeadamente a criação de espaços de sociabilidade e de liberdade. Reocupação do espaço e do tempo nas Cidades e nos campos. Criação de novas valências de lazer de importância fundamental ,podendo assim ser impulsionadores de novos dinamismos nas modernas Sociedade e de novas culturas, criando as dinâmicas necessárias para as novas vivências dos modernos produtores . Não podem porém ,desempenhar este papel no interior das empresas pois não é este o objectivo das Organizações actuais Assim os sociólogos que vivem no interior das empresas vem-se arredados das suas tarefas mais validas e mais úteis, para fazer empurrar o mundo para o lado moral de que nos fala Kant. È pois necessário que os sociólogos e as suas organizações se afirmem como verdadeiras dinâmicas do saber, para que possam ser eles a determinar, qual o melhor caminho para a nova humanidade ,que emergiu no século XXI . É pois necessário que a Sociologia se emancipe enquanto Ciência do Social de modo a ser ela a determinar os caminhos do futuro.                                                                                                                                             Junho de 2007         Ilidio diniz

publicado por sociolocaminhar às 15:24
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2 comentários:
De celeste raposo a 15 de Setembro de 2007 às 16:02
Caro colega Ilidio,
Estou de acordo com o que diz relativamente à indiferença que os sociólogos têm quanto à divulgação dos seus trabalhos de investigação. A forma e a redacção dos mesmos torna a sua leitura difícil para os que não têm a mesma preparação. Isso obrigaria a que cada um fizesse uma adaptação dos seus trabalhos para serem lidos com interesse por um público não especializado, o que além de difícil (por requerer uma nova forma) não é apetecível, por ser para cada um, um assunto velho. Muitos estudos importantes e actuais ficam na gaveta e muita gente não preparada lidera a acção social, actuando convictos que as soluções são evidentes e que o que é preciso é fazer coisas. Paralelamente a sociedade olha os sociólogos como gente que não quer agir. A origem desta realidade deve ser procurada na Universidade, onde os sociólogos continuam virados para dentro.
Tem toda a razão em dizer que não basta conhecer, pois esse conhecimento não aproveita aos outros.

Maria Celeste
De sociolocaminhar a 17 de Setembro de 2007 às 01:42
Boa noite
Cara colega , foi com grande agrado que li a sua resposta a este comentário que fiz , como achega para o debate preparatório do encontro de Sociólogos que irá decorrer em 19 de Outubro no ISCTE. É sempre importante que os Sociólogos em particular se preocupem com o objecto do seu estudo.
Que tenham a capacidade de reflectir, sobre o seu objecto e que sejam capazes de redefinir , as formas de encarar o mundo e de colocar, o seu saber ao serviço do humano. Em particular parece-me que se deve reflectir sobre como fazer sair o conhecimento sociológico das Universidades e de o fazer penetrar o mundo real.
Para a compreensão do concreto da vida e não dos pequenos casos que cada um estuda mas que depois fica pelas teses de doutoramento ou de mestrado e de pouco contribuem efectivamente para mudar a perspectiva com que enfrentamos a realidade.
Gostei mesmo do comentário por isso
estou sempre por aqui para qualquer discussão que lhe pareça interessante , sendo certo que é sempre importante encontrar outros Sociólogos, com quem se possa partilhar ideias e formas de ver e viver o mundo

Bons sonhos

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