Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007
Não sei quantas almas tenho

 

Fernando Pessoa

 

Não sei quantas almas tenho

 

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem  alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo :  "Fui  eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
 

 

publicado por sociolocaminhar às 18:40
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2 comentários:
De Lua de Sol a 18 de Setembro de 2007 às 12:19
Gosto sempre de Fernando Pessoa, um homem que escrevia genialmente com inteligência e sensibilidade. E é engraçado ver como a escolha que fazes dos poemas dele que aqui tens publicado se parecem fundir com alguns dos teus textos... Parecem ajustar-se como uma luva, mesmo que por coincidência... Afinal, as palavras dos outros que apreciamos têm sempre um significado especial para nós...
De sociolocaminhar a 18 de Setembro de 2007 às 18:23
Sem duvida que é um dos poetas que admiro
Que comecei a gostar quase à primeira leitura de poemas soltos que li um dia na revista Orfeu.
apesar de ainda não ter lido grande parte da sua obra
existe sem sobra de duvidas uma grande afinidade com as coisas que escreveu e que são de facto impares na literatura Portuguesa e do Mundo.
Foi sem duvida Um refrescar da escrita e da forma de comunicar com o universal que creio perdurará no sempre dos homens que acreditam que não há impossíveis.

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