Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
Nas asas do sonho

Nas terras do fim do mundo, vive um povo que não conhece outras paragens

Mas cuja felicidade não se discute.

É uma sociedade comunitária onde tudo é pertença de todos, desde o trabalho até ao forno comunitário.

As ovelhas as cabras as Vacas e o boi. São responsabilidade de todos os seus habitantes.

O trabalho dos campos é dividido de modo igual por todos os habitantes.

O moleiro recolhe os grãos que mói no moinho do povo e depois distribui segundo as necessidades de cada um.

Todos vivem confiantes no futuro e só as diabruras da natureza fazem que em determinadas ocasiões o povo deste lugar, sinta as dificuldades próprias de quem habita Um mundo simultaneamente belo, mas que contém a força destruidora.

Os homens e as mulheres juntam-se ao entardecer na casa do povo e discutem como fazer todos os trabalhos que o amanhã requer para manter uma população, onde a juventude é o projecto do futuro.

O Barbeiro da aldeia é quem corta os cabelos e também o medico, ou quem detêm o conhecimento das ervas que curam.

Como em todas as aldeias do fim do mundo encontramos a  srºMaria Coelha  que detêm o poder de predizer o futuro.

Foi a ela que alguns rapazes ouviram contar que, nas terras do longe havia uma pedra que brilhava nas noites escuras e que quem a toca-se seria bafejado, com a capacidade não humana de poder deter a força destruidora da natureza e desse modo o poder de conduzir este povo ao bem-estar total.

 Lá que ouviram contar ouviram, mas o que ninguém sabia era onde ficava tal terra ,nem a forma de lá chegar, isso era segredo dos Deuses e só eles alguma vez, teriam tocado tal pedra.

Era o que toda a gente falava, neste fim de tarde na reunião do povo ,logo após uma trovoada que destruiu toda a cultura de Milho, centeio e feijão, trabalho de um ano completo.

Foi com estes pensamentos que se deitou o Joaquim um rapaz de 14 anos, aprendiz de cesteiro.

Nessa noite quase não pregou olho e, foi já rente à manhã que, adormeceu e sonhou com uma águia que, por vezes pairava sobre a aldeia. No seu sonho viu-se transportado no bico da águia e sobrevoou terras distantes, das quais nunca tinha ouvido falar, nem sequer ao homem mais sábio da aldeia. A quem chamavam, o conhecedor das coisas e do mundo.

Era a ele que sempre se recorria quando não se chegava a consenso, sobre qualquer actividade da comunidade.

Desconhecia-se como lhe tinha sido dado tanto saber, mas que sempre tinha sido capaz de usar as palavras certas, para resolver os conflitos que por vezes surgiam, lá isso era verdade.

Era um individuo que tinha o habito de se retirar ás vezes, por semanas ou meses. Ninguém sabia para onde e quando voltava, era muitas vezes encontrado debaixo de um carvalho rabiscando símbolos estranhos, naquilo que ele chamava de papel.

Apesar desse seu hábito estranho, de desaparecer e aparecer e de rabiscar papeis, era muito considerado na aldeia pelas capacidades que mostrava, para a resolução dos problemas, ainda que estes parecessem de difícil solução.

Acordou já o sol ia alto, com o sonho na alma. E foi como todos os dias para o seu trabalho, de aprendiz de cesteiro. Mas este foi um dia diferente, manteve-se sempre distante e pensativo, trazia consigo um sonho que não queria esquecer e por isso passou o dia a repetir a si mesmo Hei-de voar, hei-de voar.

Á noite enquanto os adultos ,se reuniam na casa do povo e os outros rapazes se entretinham com o jogo do malho, ele sentou-se no muro e deixou a mente vadiar pelas terras, distantes que tinha percorrido na noite anterior.

Quando se deitou, nessa noite tentou voltar ao sonho, mas adormeceu sem que essa imagem que pretendia ressuscitar voltasse.

Passou o tempo e o sonho não mais voltou, nem das paisagens maravilhosas que viu falou a ninguém, tinha sobrevoado sobre ribeiras tão grandes que não conseguia descrever o tamanho, aldeias tão grandes e sobre casas tão altas que quase batia com os pés nas telhas. De tais casas não podia falar a ninguém, de um tal sonho muito menos. Seria de certeza considerado louco.

E quem sabe afastado do grupo de rapazes com quem convivia.

Mas tinha na ideia essa coisa de voar, isso foi coisa que se lhe meteu na cabeça e nunca mais saiu.

Meteu-se-lhe também na cabeça uma ideia, talvez o conhecedor lhe pudesse explicar o seu sonho.

Talvez se fala-se com ele, pudesse esclarecer aquelas casas grandes, e a ribeira de que não tinha visto a outra margem.

Foi com esta na ideia que se acercou do conhecedor estava este a rabiscar nos seus papéis.

Foi de soslaio que olhou para um desenho que este se encontrava a fazer nos seus papéis.

 A forma de um pássaro que parecia voar e lá dentro, varias cabeças sorriam e pareciam extasiados com a aventura.

 Perguntou que coisa era aquela que se encontrava no papel e que se parecia tanto com um sonho que Fazia tempo sonhara.

- Este é um desenho de uma passarola que voa e que se constrói ,lá pela cidade grande onde vou ás vezes observar o mundo, onde vivem muitas pessoas, tantas, tantas que é impossível contar.

- E essa coisa voa mesmo, perguntou?

- Claro meu rapaz, e esta é para os que gostam de brincar, para além destes existem pássaros enormes que levam centenas de pessoas, para sítios muito distantes.

- E é verdade que existem casas mais altas que o pinheiro mais alto da floresta.

- Sim ,altas muito mais altas, tão grandes que lá dentro cabem todas as casas da nossa aldeia.

- Será que um dia quando fores a essa terra me podes levar contigo?

Gostava de percorrer o mundo e conhecer esses pássaros grandes.

- Da próxima vez levo-te comigo.

- Prometes?

-Prometo.



 historia para continuar

 

 

 

 

 

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publicado por sociolocaminhar às 00:39
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